3 de janeiro de 2011

Nargol, 1970

Eu costumava pensar, “Por que os homens estão fazendo tamanho drama e o que aconteceu com eles? Por que estão fazendo todas essas coisas insensatas?” Mas a quem Eu deveria dizer todas essas coisas? Eu estava sozinha naquele tempo. No momento em que Eu cheguei aqui [Nargol, 1970], a única confusão que Me restava deveria acabar. Depois de vir aqui, quando vi esse rakshasa hipnotizando as pessoas, percebi que se, naquele momento, o Saharara não fosse aberto de alguma forma, só Deus sabe para onde essas pessoas seriam levadas ao fim. Além disso, os efeitos de sua influência não poderiam ser ignorados e, ademais, qual teria sido o destino de seus discípulos, daqueles que estavam tentando buscar a Deus e à Verdade?

Então Eu decidi passar a noite na praia. Eu estava sozinha e Me sentia muito bem. Não havia ninguém por perto para dizer uma só palavra. E então, em meditação, senti que o momento tinha chegado em que o Sahasrara deveria ser aberto. No instante em que desejei a abertura do Sahasrara, notei que a Kundalini subiu como um telescópio dentro de Mim, abrindo um estágio depois do outro, viajando para cima – khat, khat, khat. A cor dela era como a mistura de todas as cores dessas lâmpadas juntas, que vocês usaram para a decoração. Era como a cor de aço fundido incandescente. Depois Eu vi a estrutura externa da Kundalini que continuava se elevando, criando sons em cada chakra. A Kundalini se elevou para atravessar o Brahmarandhra. Atravessar o Meu [Brahmarandhra] não foi difícil, mas então Eu imaginei que agora seria mais fácil no mundo todo.

Senti naquele momento que todas as energias que estavam pairando acima de repente entraram em Mim como uma brisa fresca vinda de todas as direções. Foi quando percebi que agora não haveria mais problemas para começar o trabalho. ...

A confusão havia terminado. Embora não estivesse completamente certa da decisão, pensei com toda a calma que finalmente o tempo tinha chegado agora. “Na pior das hipóteses, o que pode acontecer? As pessoas irão prostestar ou Me agredir. No máximo, elas rirão ou zombarão de Mim ou, para além disso, irão Me matar.” Mas não havia nada a temer. Isso finalmente deveria ser feito. Eu tinha vindo para a a Terra com esse único propósito, para despertar a consciência coletiva nos seres humanos. Refleti que, até que as pessoas recebessem a Realização do Si ou compreendessem o seu próprio Si, essa tarefa seria impossível.

Qualquer outra coisa que se tentasse fazer neste mundo seria completamente inútil. Essa foi a razão pela qual, a princípio, comecei trabalhando uma velha senhora que Me conhecia muito bem. Quando ela recebeu a Realização, Eu fiquei satisfeita. Disse para Mim mesma, “Bem, pelo menos uma pessoa recebeu a Realização.” De forma alguma, era uma tarefa fácil dar a Realização nessa Kali Yuga? Mas quando uma pessoa recebeu a Realização, senti que muitos outros poderiam obtê-la. E especialmente no nível da consciência coletiva, seria mais fácil dar a consicência. Era fácil dar a Realização para uma pessoa. Era de fato muito fácil tornar uma pessoa consciente. Mas realizar isso no nível coletivo, em massa, exigia mais trabalho.

Assim, Eu tive que trabalhar um pouco mais com minha experiência adquirida com os seres humanos. Na realidade, senti isso quando tive que parar, quais seriam os fatores que deveriam ser considerados para eliminar os maus hábitos ou problemas individuais e condicionamentos dos seres humanos. Porque um indivíduo tinha um tipo de problema, outro um segundo tipo, enquanto o terceiro tinha ainda um outro tipo. Pensei que se isso tivesse que se realizar no nível coletivo, então todos deveriam se beneficiar com uma única Realização em massa. Todos deveriam ser capazes de obter ganho com isso. Agora Eu não posso explicar a vocês aqui, mas é verdade que esse tipo de trabalho jamais foi feito no nível coletivo. Eu alcancei tudo isso através da meditação.

S.S. Shri Mataji Nirmala Devi, trechos do discurso em hindi no Diwali Puja 1995, Nargol, Índia

Agradecimentos à revista Divine Cool Breeze