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14 de agosto de 2012

Amar a si mesmo é amar aos outros




Trechos do discurso proferido por S.S.Shri Mataji Nirmala Devi por ocasião do Puja de Shri Guru em 8 de julho de 2001 - Cabella, Itália

Amor Puro:
Então, em primeiro lugar, está o puro amor por si mesmo. Puro amor. É algo tão grandioso, ter o puro amor. Como por exemplo, vocês podem gostar de ter uma cama muito bonita para dormir, vocês podem gostar de ter uma casa muito bonita, vocês podem gostar de ter toda a riqueza do mundo. Mas, tudo isso fará com que vocês amem a si mesmos? Se vocês amam a si mesmos, vocês não querem nada, porque vocês desfrutam do seu Ser (self, Si)! Desfrutar do seu Ser é a maior de todas as satisfações.

Amar a si mesmos:
Então, agora vocês obtiveram a Realização do Si. Isso significa que vocês sabem o que vocês são, vocês sabem como vocês são belos. Quando isso acontece, vocês devem tentar amar a si mesmos. E quando vocês começam a amar a si mesmos, vocês não se importam com todas essas coisas absurdas. Agora, esse puro amor é uma das coisas mais belas que vocês possuem e que vocês podem fazer por vocês mesmos.

Quando vocês são egoístas, vocês não estão amando o seu Ser. Quando vocês são rudes, vocês não estão amando o seu Ser. Quando vocês são agressivos, vocês não estão amando o seu Ser. Porque vocês estão amando todas essas coisas nocivas, mas o seu Ser é puro. Ele é absolutamente puro e belo. E ele ama tudo que é belo e bom.

2 de setembro de 2011

O Bhagavad Gita – Resumo



1. Comentários de Shri Mataji
Shri Mataji teceu comentários sobre os aspectos essenciais do Bhagavad Gita em Sua palestra feita no Puja de Shri Krishna, de 16 de agosto de 1998:

“Shri Krishna, através de seu Gita,  tentou nos ensinar como vencer a guerra contra o mal. Todo o Bhagavad Gita trata do ‘estado de testemunha’, que ali é muito bem descrito. Se lerem o Gita agora, encarando-o sob esse prisma, ficarão admirados de ver como o ‘estado de testemunha’ está descrito em todo o livro. Shri Krishna é como uma testemunha que descreve tudo aquilo que vê. Ele lhes dirá também como o ‘estado de testemunha’ auxiliou-O a compreender os seres humanos...

    ... Shri Krishna ensinou, primeiramente, como uma pessoa poderia tornar-se Sthita Pragya, ou seja, aquela que permanece no ‘estado de testemunha’. Se lerem todos esses versos que narram o Sthita Pragya, verão que se trata de descrever como vive e é feliz uma pessoa que se mantém no ‘estado de testemunha’...

...Em seguida, Ele desce aos detalhes dos conceitos de Karma, Gnyana e Bhakti.
    Em primeiro lugar, Ele falou acerca do Karma. Muitos se prendem ao ponto de achar que, seja qual for o Karma que fizerem, obterão Punyas (recompensas) a partir dele. Shri Krishna não disse isso. Se vocês O conhecessem, saberiam que Ele jamais quis dizer isso. O que Ele quis dizer foi: “Seja qual o for o Karma que vocês construírem – e podem fazer isso – devem deixar os frutos de suas ações nas mãos do Poder Divino”. Os frutos são provenientes do Poder Divino. Talvez, algumas pessoas achem que obtiveram dinheiro por causa de um bom Karma, e, por isso, podem começar a praticar más ações com aquele dinheiro. Ele não disse isso. Ele disse: “entreguem os frutos de suas ações ao Poder Divino”. Isso porque, o Poder Divino sabe o que é melhor para vocês. Mesmo que achem que fizeram algo de bom porque ajudaram os pobres, ou porque fizeram algo de realmente bom para as mulheres, vocês devem entregar tudo isso aos Pés do Poder Divino. Isso significa que não devem desenvolver o seu ego pelo fato de terem feito isso ou aquilo. Muito bem, Ele escreveu isso, mas para compreendê-Lo é preciso que alcancem o ‘estado de testemunha’, até mesmo para entender o que é que Ele falou sobre o Karma.

    Em seguida, Shri Krishna dissertou sobre Gnyana (conhecimento), que significa ‘aquilo que vocês sabem’. Todavia, isso não significa que devem ler livros sem parar. Gnyana significa saber quem vocês são. Quer dizer que devem ser Sahaja Yogis a fim de conhecer inúmeras coisas através das vibrações. Gnyana não significa ler livros. Se lerem muitos livros, vocês se tornarão mais ignorantes. Assim, Gnyana significa que devem conhecer o seu Ser interior ou Si (Self). Se não conhecerem o seu Ser interior, então não saberão coisa alguma. Assim sendo, é preciso que obtenham a sua Autorrealização. É preciso que conheçam o seu Ser interior ou Si (Self). Essa foi a segunda coisa sobre a qual Shri Krishna falou.

    Finalmente, Shri Krishna falou sobre Bhakti, que significa devoção. Essa também foi outra artimanha que Shri Krishna usou, quando dissertou acerca de Bhakti. Podem encontrar pessoas na rua cantando: “Hare Krishna, Hare Rama”. Ele chegou à conclusão apenas com uma palavra: Ananya. Ele disse que os seres humanos devem praticar a Ananya Bhakti. Ananya significa uma situação na qual ‘não existe o outro’, ou seja, quando alguém se submerge no Divino e fica inteiramente mergulhada no Divino. Shri Krishna disse que não aceitaria a devoção das pessoas, caso elas não estivessem completamente unificadas ao Poder Divino, pois, somente nesse ‘estado de união’ com o Poder Divino, deveriam exercitar a sua devoção. Ele disse que aceitaria coisas singelas como algumas folhas, algumas frutas ou um punhado de flores. Não obstante isso, para Ele a verdadeira devoção somente é possível quando os seres humanos se tornam unos com o Poder Divino, pois, em caso contrário, estarão apenas participando de uma representação teatral. Assim, essa terceira parte, que é Bhakti, vem após a obtenção da Realização do Si...

    ...Todavia, no ‘estado de testemunha’, compreenderão que obterão vibrações daquela pessoa. Perceberão quando uma pessoa é espiritual e, desse modo, vincular-se-ão a ela. Vocês não buscarão encontrar coisas superficiais ou artificiais, mas procurarão ligar-se às personalidades genuínas”.

10 de maio de 2011

Os Estados da Consciência Humana

"Esvazie-se de tudo. Deixe a mente ficar calma."
Lao-Tsé, Tao Te Ching, verso 16

As escrituras da Índia descrevem os seguintes estados da consciência humana:

Jagruti - o estado da consciência desperta;

Swapna - o estado de consciência dos sonhos;

Sushupti - o estado de sono profundo, no qual a mente, o ego e o superego estão calmos;

Turiya - o estado de consciência sem pensamentos, que está além da mente.
Assista vídeo relacionado ao tema.

Os três primeiros estados de consciência são comumente experimentados em nossas vidas diárias. O quarto estado, Turya, é o da consciência sem pensamentos ou Nirvichara Samadhi. Esse é o estado no qual a constante entrada e saída de pensamentos na mente tem um fim. A princípio, uma brecha começa a aparecer entre os pensamentos e é conhecida como vilamba.

A medida em que essa abertura cresce, os pensamentos diminuem e, com a prática regular da meditação, a mente entra em consciência sem pensamentos e fica calma como um lago sem nenhuma ondulação, e uma profunda paz interior começa a aclarar nossa consciência. Quando não há ondulações na água do lago, sua superfície fica quase invisível, pois reflete a beleza da paisagem ao redor - as árvores, o céu e as nuvens. Da mesma forma, a mente quieta reflete a beleza da criação e dissolve-se na bem-aventurança e na paz do divino.


"Agora faremos a descrição de Yoga (união). Yoga é a cessação do fluxo natural de pensamentos da mente. E então o Si reside em sua própria natureza. De outro modo, ele se identifica com os pensamentos."
Patanjali, Yoga Sutras

"O regozijo somente é possível quando você está além de sua mente. Com a sua mente você nunca pode regozijar. É como uma grande carga. Ela não atuará, não ajudará. O regozijo vem quando você está em completo silêncio - num lago plácido. Os reflexos de toda alegria que é criada nas margens daquele lago são refletidos completamente, eles não são desviados. Se houvesse ondulações, haveria uma imagem completamente diferente e ela não estaria em nada próxima da imagem da realidade."
Shri Mataji Nirmala Devi, Itália, 1. de outubro de 1995

No estado de consciência sem pensamentos estamos inteiramente no momento presente, no estado de 'existir' e não desperdiçamos os momentos preciosos da vida pensando sobre tempos que estão terminados para sempre ou ainda por vir. Começamos a desfrutar do nosso Si, de nosso Espírito, de nossa própria beleza interior e da beleza da criação. Começamos a desfrutar de 'existir'. Somos capazes de apreciar o canto dos pássaros e o perfume das flores num nível muito mais profundo, já que não somos mais bombardeados pelo burburinho mental sem sentido, que assalta nossa consciência e polui nossa atenção, distraindo-nos das alegrias simples da nossa existência.

Nesse estado começamos a sentir as vibrações de nossos chacras e de nosso ambiente(e o efeito de nosso comportamento e estilo de vida) nas pontas de nossos dedos.

"O Si, o qual de fato é o Senhor e que é chamado 'Eu', porque ele reside no corpo, é diferente dos corpos físico e sutil. 'Eu sou aquele Espírito. Eu sou sem atributos, sem ação, eterno, sempre livre e indestrutível. Eu não sou o corpo que está sempre mudando e é irreal.'Isso é chamado Conhecimento, pelos sábios'."
Shri Adi Shankaracharya




Fonte : Guia para Iniciantes da Sahaja Yoga


16 de maio de 2010

Senhor Shiva

Conselhos dados por S.S. Shri Mataji Nirmala Devi

O Deus Shiva é existência. E essa é a primeira forma que surge em todas essas formas. Assim como a semente revela-se em uma árvore completa e se torna a semente, no ponto de dissolução isso finalmente também se torna Shiva. É por isso que Ele é conhecido como Shiva, que significa a forma permanente. Ele não assume nenhuma forma. Não encarna. É a testemunha que observa. Esse é o aspecto de Deus. Assim, vocês têm três aspectos de Deus. O primeiro é Shiva, o qual é existência, o segundo é o criador, que é Brahmadeva e o terceiro (aspecto) é Vishnu, que é a sustentação, que evolui, que dá o movimento evolucionário, que encarna, que encarnou dez vezes.

(Trecho da Palestra sobre Chakras e Divindades, Delhi, 22/02/1977)

Assim, Eu gostaria de dar a vocês uma pequena idéia sobre esse quadro que temos na nossa frente. Agora quem nós chamamos de Deus Todo-Poderoso, Aquele que é eterno, que não encarna, que está o tempo todo lá observando o jogo de Seu poder, a Mãe Primordial, é manifestado através do poder Dela nesses três aspectos aqui, claramente, dentro de nós e dentro do Ser Primordial que é supremo, o qual todas as pessoas criadas têm de alcançar. Agora há uma diferença entre os dois, o Todo-Poderoso – Deus, como vocês O chamam, Aquele que nunca encarna e Aquele que encarna nesta terra e ocupa uma posição como essa, igual a um ser humano, e Ele é chamado de Ser Primordial ou você pode dizer de Virata. Você pode chamá-Lo de Virata.

Na verdade, embora Ele seja chamado de Ser Primordial, Ele é um aspecto de Deus. Assim há duas coisas que se vocês entenderem, Eu serei capaz de lhes explicar como os aspectos de Deus são expressados em nós.

Assim, o primeiro aspecto de Deus é o desejo de criar, Seu desejo de criar e em Seu desejo de criar. [...] Assim, Seu desejo de manifestar, Seu desejo de criar, esse é o aspecto dentro de nós que é representado por essa linha azul que é chamada de Adi Ida Nadi, ou você pode chamá-la de canal Ida primordial, pelo qual Ele deseja. Agora assim como o desejo pode nascer e pode acabar, pode ser desligado, do mesmo modo, Seu desejo de criar também pode acabar. Seu desejo de criar mais pode ter terminado. Seu desejo de não mais criar por enquanto pode estar lá. Assim, se você entende seus desejos, você pode entender o desejo Dele também de criar e é por isso que quando Ele não deseja mais ter isso, a criação, Ele pode destruir.

Assim, Ele é Aquele através de quem nós existimos e através de quem nós somos destruídos também. Assim, Ele é Aquele que manifesta a existência e a destruição da criação. É por isso que Ele é chamado de Destruidor. Esse aspecto é representado pelo princípio de Shiva, o qual nunca encarna porque esse princípio é aquele que é o germe, que é o começo e o fim de tudo. Assim como uma semente se torna por fim uma semente, da mesma forma esse Shiva Tattwa, Princípio de Shiva, germina, cria e então novamente se torna o mesmo princípio. É por isso que o princípio de Shiva nunca muda. É chamado de Shiva, significa que é permanente, é eterno.

(Trechos da Palestra “Como Aspectos de Deus são experimentados dentro de nós", Caxton Hall, Londres, 11/06/1979)