25 de outubro de 2013

Diwali: O Óleo é o Amor

Diwali 1985
Trechos do Discurso realizado no Puja do Diwali em Tivoli, Roma, em 17 de novembro de 1985

É o óleo que queima e dá luz:

"...Nós tivemos muitas lamparinas bonitas e muito óleo para queimar, mas não havia a faísca para iluminar as deepas (luzes). E o pavio, como vocês o chamam – é chamado de bati em Hindi – é como a sua Kundalini que teve de encontrar a faísca. As lindas lamparinas eram todas um desperdício, sem propósito, obtusas. E essa é a grande bênção dos tempos modernos em que tantas luzes estão iluminadas e nós estamos tendo um Deepavali de corações humanos. Quando vocês se tornam a luz, vocês não se preocupam com a lamparina, como ela parece, como é feita, está tudo feito. Vocês têm apenas de se preocupar com a chama, com o óleo, porque é o óleo que queima e dá luz.

Em Sânscrito, que é a linguagem dos deuses, o óleo é chamado de ‘snigdha’, ‘snigdha’; é algo que é macio, mas é ‘snighda’. E ‘sneha’ significa ‘amizade do amor’. E os poetas em outras línguas usaram esta palavra de um modo diferente, chamando de ‘niha’. Eles cantaram o louvor desse amor.

Óleo limpo:
...O amor é a coisa que dá a luz. Se o óleo não está limpo, está contaminado, produz fumaça, mas se é puro, dá uma luz brilhante sem nenhuma fumaça. Mas quando esse óleo é fragrante, então a luz também dá fragrância. O óleo é feito de várias coisas. Aquele que vem da Mãe Terra não pode ser usado porque é muito materialista, tem carbono. Como o petróleo, querosene, eles poluem a atmosfera. Aí aquele óleo que vem dos animais, alguns deles muito venerados na Índia,  tem um tipo muito peculiar de snigdha, ou podemos chamar de ghee ou óleo, que dá uma luz muito calmante e pacífica.


Assim, quando a matéria evolui para o estado animal, o óleo também evolui. Mas quando esse óleo é esfregado nos pés de um santo, ele fica perfumado. Da mesma forma, se este óleo fica em contato com flores, fica perfumado. Assim, os pés de um santo são como as flores na árvore. E quando a flor cai no chão, ela é tão delicada, tão sensível que não fere a Mãe Terra. Ela cai com uma grande reverência, como uma grande homenagem a Mãe Terra. 
Da mesma forma, um santo tem de ser gentil, da mesma forma que o luar cai sobre a Terra. É uma luz que nada queima, sem ardência. Essa gentileza temos de desenvolver a partir do óleo, que é o amor em seu coração, que lubrifica tudo, que remove as fricções e tranquiliza.


Lamparinas a óleo no Diwali
Queimar de forma desapegada:
...Mas o fogo também vem da matéria que está queimando. Assim,  a matéria tem de ser queimada se você quiser ascender. Se a sua atenção está o tempo todo em coisas ordinárias, coisas materialistas, na direção de prazeres físicos, você não pode se elevar. Você pode fazer qualquer quantidade de meditações, usar a Minha fotografia, vir para os Meus pujas, mas se a sua atenção estiver presa (nisso), é como ficar sobre um crocodilo para tentar entrar num barco.

Isso não significa que quando uma chama queima, ela abandona a matéria, mas ela fica desapegada e a queima. Assim, esse corpo, essa mente, esse ego, esse superego, devem ser todos queimados para manter a chama acesa o tempo todo.

A luz que ilumina é a luz que pode queimar:

...Mas respeitem a sua luz e a luz dos outros. A escuridão é demasiada e nós precisamos de muitas luzes para remover essa escuridão. Essas luzes devem ser mantidas, cuidadas, amadas.
...
É através de seu comportamento, através de suas luzes puras, através de sua fragrância que as pessoas vão conhecer Deus Todo-Poderoso. 

...E se você agora quiser estragar isso, é melhor que entenda que você será muito severamente punido. 
A luz que pode iluminar também pode queimar. Mas essa luz queimará a todos que tentarem queimar o Reino de Deus.

Assim, em um dia do Diwali, saibamos nós que devemos ter as lamparinas queimadas de uma forma que tenham o mais puro do amor puro nelas. Não apenas palavras levianas, retórica do amor, mas o amor deve fluir a partir de seu coração assim como a natureza derrama todas as suas bênçãos sobre vocês."