25 de julho de 2011

Shri Saraswati



Shri Saraswati é a Shakti, o poder e a esposa de Shri Brahma, o Criador. Ela é por isso a procriadora, a mãe de toda a criação. Ela representa a livre fluidez  da sabedoria e da consciência. Ela é a Mãe dos Vedas, e os cantos oferecidos à Ela frequentemente começam e terminam com lições védicas.
   
Literalmente, Saraswati significa “aquela que flui”. No Rigveda, Ela representa um rio e a Divindade que o rege. Ela está vinculada à fertilidade e à purificação.

No Vasant Panchami*, festival dedicado à Shri Saraswati pelos hindus, é dito que o Senhor Brahma criou sua consorte, a Deusa Saraswati, concedeu-Lhe o poder do discurso e a Vina às Suas mãos. Por isso Ela foi chamada de Vina Vandini (que toca a Vina) e Vani Dayani (receptáculo do discurso). Como cônjuge de Brahma e a Deusa da sabedoria e da eloquência, Ela é conhecida por vários nomes como Vinapani (que segura a Vina), Sharada (doadora da essência), Vagisvari (mestra da palavra), Brahmi (esposa de Brahma) e Mahavidya (conhecimento supremo).

O nome que A descreve como “aquela que flui” pode significar igualmente a capacidade de discursar, de falar, visto isso sob um aspecto alegórico. O discurso perfeito pressupõe poder e inteligência. Por isso, Saraswati representa o poder e a inteligência, de onde provém o universo organizado.

Ela é considerada a personificação de todo o conhecimento, de todas as artes, ciências, profissões e técnicas. O conhecimento é a antítese das trevas da ignorância, também aparece como um branco imaculado. Como Ela representa todas as ciências, todas as artes,profissões e técnicas, Ela deve ser maravilhosamente bela e graciosa.

Envolta numa vestimenta branca imaculada, sentada numa cadeira com a forma de uma flor de lótus, Ela traz em suas quatro mãos um instrumento musical (Vina), um rosário (Akshamala) e um livro (Pustuka). Ainda que esses objetos sejam bastante comuns, existem inúmeras variações deles. Dentre os outros objetos que Ela pode portar encontram-se: o laço (Pasha), o gancho (Ankusha) a flor de lótus (Padma), o tridente (Trishula), a concha (Shanka), o disco (Chakra), etc. De tempos em tempos, Ela aparece com cinco faces ou com oito mãos. Até mesmo três olhos ou um pescoço azul não são raros. Nesse caso, Ela é o aspecto de Mahasaraswati, de Durga ou de Parvati.

Vejamos o aspecto simbólico: sendo a esposa de Brahma, o Criador, Ela representa o poder Dele e a Sua inteligência, sem os quais toda a criação organizada seria impossível. A fim de mostrar que esse poder da inteligência é prodigioso e absolutamente puro, Sua imagem é de uma brancura deslumbrante.
Como de hábito, os quatro braços indicam seu poder absoluto sobre todas as direções e sua onipresença.

A cor amarela tem uma importância especial ao se venerar Shri Saraswati.Na Índia,  no Vasant Panchami, Ela é vestida com roupas amarelas e venerada pelos hindus. Livros, instrumentos musicais e artes são colocados em Sua frente.

Shri Saraswati sendo a deusa do saber, não é surpreendente vê-la com um livro em sua mão esquerda. O livro representa todos os domínios da ciência profana. Um saber puramente intelectual, sem um coração suavizado pela sensibilidade, sem sentimentos e emoções de ordem superior, é árido e desprovido de interesse.

Por isso, Ela tem também um instrumento musical (Vina), o qual Ela toca realmente, a fim de exprimir a necessidade de cultivar as belas-artes. O rosário (Akshamala), que Ela tem em sua mão direita, simboliza todas as ciências espirituais ou a Yoga, incluída aí a ascese (Taas), a meditação e o recebimento do nome Divino (Japa). Mantendo o livro na mão esquerda e o rosário na mão direita, Ela nos ensina que as ciências espirituais são mais importantes que as ciências profanas.

O Pavão e o Cisne :
Ainda que nenhum veículo ou montaria especial seja citada, o cisne (Hamsa), a montaria de Brahma, Lhe é geralmente reservada. Na literatura mitológica e no imaginário popular, pode-se vê-la usando um pavão como veículo.

O pavão, com a sua magnífica plumagem, é esse mundo com toda a sua glória. Como a atração pelo mundo desvia o buscador espiritual, o pavão pode representar realmente a ignorância ou a falta de conhecimento (Avidya).

Ademais, o cisne,  que goza da reputação de conseguir separar a água do leite, é a sabedoria, o discernimento (Viveka) e portanto o conhecimento (Vidya). Ainda que seja verdadeiro que somente a iluminação espiritual (Vidya ou Paravidya) pode nos dar a beatitude (Moksha), significando a Avidya o conhecimento profano – as artes e as ciências desse mundo material – não foi negligenciado e nem deveria ser. 

Como diz o Ishavasya Upanishad, nós superamos a fome e a sede com a ajuda das ciências profanas, e somente podemos conseguir em seguida a imortalidade através das ciências espirituais. É por nos ensinar essa grande verdade que a nossa Mãe Saraswati escolheu esses dois veículos: o cisne e o pavão.



*Vasant Panchami : Vasant  significa "primavera" e Panchami  significa "o 5. dia". Vasant Panchami cai no quinto dia da Primavera (hemisfério norte, calendário lunar). As crianças hindus celembram-no empinando pipas multicoloridas.

Fonte parcial : Descrição da Deusa Saraswati, segundo o livro “Les Divinités Et Leurs Demeures” (Dervy-Livres 1980)
Fonte parcial : Apostila do Swadhistana Chacra da Sahaja Yoga